Follow by Email

sexta-feira, agosto 28

Esse TEMA é pra trabalhar com alunos acima do 6º ano.

Estranham que nessa orgia de gastos "corporativos" não tenha aparecido nenhuma despesa com gestantes e garotas de programa. A explicação é simples – elas não aceitam cartão de crédito.
FALCATRUAS (E NÃO).
Sim senhor, o mundo é um antro de falcatruas. Se eu não fosse o otimista que sou, pessoa que acredita na nobreza do ser humano, esse impoluto, diria até que no mundo existe mais falcatrua do que falca. E do que trua. Sugeriria até legalizar ambas, pra colocar o mundo numa realidade mais real.
Olha em volta; irmão, os caras, nas grandes empresas, tão falsificando o leite! A gente reclama como se o pobre e nobre leiteiro, antigamente à nossa porta, não colocasse também água nesse mesmo leite. Como se o assalto do pobre-diabo que põe a mão na balança (daí vem o carcamano, carica la mano, sabia?) não fosse emulado, na outra ponta, pelo ser humano mais sofisticado do atual pedaço tecnológico – o hacker. Ou como se o assalto externo a todo e qualquer banco, com pouco lucro, ocasional prejuízo, e muito risco, não tivesse um resultado melhor, em assalto e lucro, e nenhum risco, feito pelos próprios bancos.
Por que falo nisso? Porque acabei de ler O Colapso e Armas, Germes e Aço, de Jared Diamond (me foram presenteados por Fernandinha Torres, minha fornecedora de livros transcendentais, sorry, periferia), e voltei a pensar na sacrossanta ciência. Onde a fraude sempre comeu solta, com conivência, com cumplicidade, e até participação, de pessoas as mais inesperadas, mais conceituadas e bem posicionadas. Pra só falar disso, o Elo Perdido, "descoberto" em 1912, por Dawson, uma fraude no mínimo grosseira, foi compartilhado por Conan Doyle (é, o do Sherlock), que andava sempre por ali, em Piltdown, onde a falcatrua foi premeditada e feita. Mas Doyle era chegado a um misticismo que o levaria a romper com o extraordinário Houdini (que proclamava publicamente que todos os seus feitos de ilusionismo eram truques) quando este desmoralizou uma "vidente" protegida dele, Doyle. E, mais assustador ainda, Teilhard de Chardin, o grande místico, teólogo, antropólogo, e o catzo, de fama invejável, também participou da trama.
 
Pois eu, aqui onde me vêem (lêem), imbele e fraco, por essas e outras, durante muito tempo deixei de acreditar em cavadores, buracos científicos e carcaças reveladoras da história humana. Arqueologia, o nome.
Bem, mas quando a falcatrua de Piltdown foi feita, cumpre dizer, não havia nem mesmo o carbono 14, certidão de idade de qualquer passado, homem ou animal. O C14 só foi oficializado nos anos 50.
Agora, vejam (leiam) como as coisas mudam. E você com elas. Quando se encontrou o corpo do careta morto nas geleiras do Tirol – abrindo uma briga entre Itália e Áustria pela posse – que aos primeiros indícios os "especialistas" afirmavam que era um italiano desaparecido no gelo havia quarenta anos, logo a aparelhagem científica moderna verificou que o personagem tinha 5 300 anos. Quase diziam o dia e a hora do nascimento. Talvez até o CPF. Uma preciosidade.*
Pois é, eu ainda estava descrente, quando Fernandinha me mandou os dois livros de Jared Diamond, Colapso e Armas, Germes e Aço, miletantas páginas, pra ser exato 1 257 páginas. Através dos livros de Jared, com brilho único e credibilidade absoluta, a ciência moderna – a geografia, a biologia evolutiva e tudo o que minha ignorância engloba como arqueologia – nos dá um retrato fascinante de para onde o mundo caminha (ou não) e afasta mais de mim, definitivamente, a desconfiança de que todos os estudos de cavernas, esfinges, pedaços de estátuas, restos de caveiras, era tudo pseudociência. Agora, quando Jared Diamond, nestes livros – universais pelo escopo e alcance global – acompanhando e acompanhado por ciência e cientistas em todo o mundo, de repente me exibe uma semente encontrada há um milhão de anos e, através dela, me explica como, na época e no local, os seres humanos viviam, eu acredito em tudo.
Assim, apesar de viver num momento de tecnologia maravilhosa e sempre surpreendente, deixo de me interessar por isso, pelas promessas do futuro, e todo dia acordo. Aguardando com ansiedade as últimas novidades do passado.
*Uma revista gay da Alemanha revelou que a múmia era gay. Os cientistas negaram. Bem, mas a ciência ainda está bem atrás da fofoca.

O futuro da humanidade em questão

Discuta idéias-chave para avaliar escolhas das sociedades contemporâneas no uso dos recursos

  • Aumenta o tamanho da letra
  • Diminui o tamanho da letra
  • Expande ou comprime o texto
Objetivos
Avaliar as relações sociedade-natureza a partir dos usos dos recursos naturais

Introdução
Em sua coluna desta semana, Millôr Fernandes cita duas obras do geógrafo e fisiologista norte-americano Jared Diamond, renomado professor da Universidade da Califórnia: Armas, Germes e Aço, que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer, e Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso, publicadas no Brasil em 1997 e 2005, respectivamente. Na primeira, reunindo conhecimentos de geografia, história e arqueologia, além de estudos epidemiológicos, Diamond analisa como diferentes sociedades seguiram caminhos diversos de desenvolvimento nos últimos 13 mil anos. Na segunda, examina o percurso das civilizações a partir da idéia de ecocídio, um suicídio ecológico de grupos humanos que exauriram recursos naturais vitais à própria sobrevivência. Essas idéias podem trazer um estímulo ao debate com seus alunos sobre natureza e sociedade no mundo contemporâneo: o legado para as gerações futuras dependerá das escolhas feitas pelas do presente. Nas palavras de Diamond, o destino do povo da Ilha de Páscoa — do qual restaram apenas enormes estátuas de pedra (os moais) — seria uma "metáfora imperfeita" do mundo moderno?

Atividades
1ª aula – Após a leitura da coluna de Millôr, pergunte aos meninos se conhecem ou já ouviram falar de Jared Diamond. Se julgar necessário, sugira uma pesquisa na biblioteca da escola ou na internet para saber mais sobre o autor. Em seguida, lance questões para reflexão e debate: estaríamos efetivamente diante de um suicídio ecológico coletivo? Quais são os principais nós nesse campo? Como as experiências ambientais em outros tempos podem inspirar as práticas do presente?
Destaque que algumas concepções de Diamond ajudam a iluminar essa troca de idéias e sugerem novos pontos de vista. Em Armas, Germes e Aço, o autor defende que fatores geográfico-ambientais permitiram a certas sociedades alcançar um desenvolvimento técnico e econômico que lhes possibilitou empreender conquistas e dominar outros povos. Ele se refere em especial aos europeus, que teriam à sua disposição ambiente propício, com terras férteis e presença de animais domesticáveis. Ao contrário do que ocorre com grupos nômades caçadores, teria havido condições de liberar o trabalho humano para desenvolver atividades intelectuais e religiosas, técnicas, máquinas e equipamentos. Solicite a todos que expressem opiniões sobre isso.

Aproveitando uma linha de argumentação expressa em Colapso, enfatize algumas das doze ameaças que o autor considera críticas — e cuja importância relativa difere de caso para caso: problemas com solo (erosão, perda de fertilidade), desmatamento, controle da água e crescimento demográfico, além de outras típicas da sociedade industrial, como o acúmulo de resíduos no ambiente e as eventuais mudanças climáticas.

Ressalte que Diamond entende que nenhuma sociedade — atual ou do passado — está livre da armadilha de sobrecarregar recursos naturais. Ele também não vê as novas tecnologias como a salvação para tudo. Acrescente mais dados: muitas contribuições importantes para o desenvolvimento técnico europeu vieram de outras partes do mundo. Como assinala o sociólogo espanhol Manuel Castells, os chineses já tinham desenvolvido o arado de ferro adaptado aos cultivos de arroz no século VI. Do mesmo modo, os orientais dominaram a fundição de ferro (200 a.C.), os martelos hidráulicos (século VIII), a indústria química e os instrumentos de orientação para embarcações antes, ou praticamente ao mesmo tempo, que os europeus. Sugira, então, que os estudantes organizem essas idéias num quadro para a próxima aula.
2ª aula – Retome os pontos discutidos na aula anterior, mostrando exemplos positivos e negativos de uso dos recursos por diferentes sociedades apontados por Diamond. Desmatamento, extinção de espécies ou introdução de variedades exóticas daninhas são situações verificadas no passado, tanto na América como na Noruega, na Austrália e na Nova Zelândia, em Madagáscar ou em ilhas do Mediterrâneo e do Pacífico. De outro lado, registram-se experiências bem-sucedidas de manejo florestal no Japão, em Tonga e na Nova Guiné.
Introduza aqui a noção de uso. Ensine que, para subsistirem, as sociedades humanas precisam lançar mão de recursos da natureza. Ao fazer isso, criam espaços geográficos, espaços humanos construídos historicamente e adaptados a diferentes necessidades. Este ponto é esclarecedor, pois o que está em questão não é fato de usar os recursos, mas sim como e por que fazê-lo. Despejar esgotos em rios, como no Tietê quando ele atravessa a capital paulista, é uma atitude insustentável que compromete outros aproveitamentos do recurso: ele não serve hoje à navegação, pesca ou abastecimento de água. Por outro lado, desviar e tratar os esgotos e direcionar o mesmo rio para geração de energia, construindo parques públicos em suas margens, é qualitativamente diferente, pois não compromete outros usos. O mesmo vale para reservas extrativistas, como as que foram criadas no Acre e em outros pontos da Amazônia, baseadas no conceito de manter a "floresta em pé".

De posse dessas informações e idéias, proponha que a turma se divida em grupos e escolha regiões ou países para pesquisar e avaliar situações de uso que comprometem os recursos. Eles podem também examinar alternativas mais racionais e sustentáveis. Entre os objetos de estudo, bons exemplos são as cidades chinesas como Beijing e Chongqing, em que a poluição atmosférica é alarmante, o Mar de Aral, a chuva ácida no nordeste da América do Norte, a guerra pela água na bacia do Rio Jordão e o desmatamento na Amazônia e na África central.

Discuta os resultados com a garotada e peça a elaboração de painéis para exposição na escola. Sugira que ilustrem o material com experiências em que a mobilização e a organização social foram capazes de reverter crises socioambientais. Afinal, segundo Jared Diamond, "nós, o público, temos a responsabilidade final".
Postar um comentário