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sábado, agosto 29

CONTINUAÇÃO DO CURSO DE ATUALIZAÇÃO GRAMATICAL

AULA 4
Verbos
O assassino era o escriba
Meu professor de análise sintática era o tipo de sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida.
Regular como um paradigma da primeira conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas,
sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os E.U.A.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
(Paulo Leminski)
Os termos em destaque no texto acima são verbos. Verbos são palavras que exprimem
fatos, situando-os no tempo. Esses fatos podem indicar: ação, estado, fenômeno. No
momento em que se fala ou escreve, o processo verbal pode estar em plena
ocorrência, pode já estar concluído ou pode ainda não ter ocorrido. Essas três
possibilidades básicas, mas não únicas, são expressas pelos três tempos verbais:
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presente, pretérito e futuro. Os verbos podem, ainda, estar classificados em três modos:
indicativo, subjuntivo e imperativo.
O verbo também é essencial para a ação. Não existe oração sem verbo e, às vezes,
basta o verbo para que a oração esteja completa:
Engordei.
Ganhamos!
Está chovendo.
MODOS VERBAIS
MODO INDICATIVO
Exprime um fato certo, real, positivo. Os tempos do modo indicativo são:
Presente – Determina um fato atual (simultâneo ao ato da fala), ou habitual,
permanente:
Neste momento penso em você
A terra gira no espaço
Pretérito imperfeito – Enuncia um fato passado, porém não concluído, um fato que se
prolongou. Pode ainda traduzir um fato habitual, frequente:
Enquanto subia o morro, admirava a paisagem.
Lúcia falava com a professora todas as manhãs.
Pretérito perfeito – Indica um fato completamente realizado, uma ação concluída:
Fui ao dentista ontem.
Naquele dia, acertei todas as questões da prova.
Pretérito mais-que-perfeito – Exprime um fato passado, anterior a outro igualmente
passado. Pode, também, traduzir desejo, em frases optativas:
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Falara com o amigo no ano passado.
Tomara que consiga passar na prova.
Futuro do presente – Enuncia um fato que se há de realizar.
Amanhã viajarei com meus amigos.
Futuro do pretérito – Exprime um fato futuro condicionado a outro ou situado no
passado:
Eu iria à festa, se não chovesse.
Afirmei, naquela ocasião, que não o apoiaria.
MODO SUBJUNTIVO
Exprime em geral ideias subjetivas, hipotéticas. Pode ser conjugado nos seguintes
tempos:
Presente – O presente do subjuntivo normalmente expressa processos hipotéticos, que
muitas vezes estão ligados ao desejo, à suposição:
“Quero que tudo vá para o inferno!”
Suponho que ela esteja em Roma.
Pretérito imperfeito – O pretérito do subjuntivo expressa processos de limites
imprecisos, anteriores ao momento em que se fala ou escreve:
Se eu pudesse, compraria um carro novo.
A falta de tempo não permitia que ele estudasse.
Futuro – O futuro do subjuntivo indica fatos possíveis, mas ainda não concretizados no
momento em que se fala ou escreve:
Quando comprovar sua situação, será inscrito.
Quem obtiver o primeiro prêmio receberá bolsa integral.
MODO IMPERATIVO
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Emprega-se para exprimir ordem, proibição, pedido, convite, conselho. Pode ser
utilizado nas formas Afirmativa e Negativa.
Saia já daqui!
Por favor, venha a minha casa!
Não fique sozinho!
Verbos regulares
São aqueles cujos radicais não se alteram e cujas terminações obedecem ao modelo
(paradigma) da conjugação a que pertencem, como no caso dos verbos falar e estudar.
PRESENTE DO INDICATIVO
Falar
Eu fal – o
Tu fal – as
Ele fal – a
Nós fal – amos
Vós fal – ais
Eles fal – am
Estudar
Eu estud – o
Tu estud – as
Ele estud – a
Nós estud – amos
Vós estud – ais
Eles estud – am
Verbos irregulares
São aqueles que apresentam irregularidades no radical ou nas terminações. É o caso
dos verbos perder e medir.
PRESENTE DO INDICATIVO
Perder
Eu perc – o
Tu perd – es
Ele perd – e
Nós perd – emos
Vós perd – eis
Medir
Eu meç – o
Tu med – es
Ele med – e
Nós med – imos
Vós med – is
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Eles perd – em Eles med – em
Verbos defectivos
São chamados defectivos os verbos que não têm algumas formas, isto é, não podem
ser conjugados completamente. Devem, portanto, em alguns casos, ser substituídos
por outros verbos. Ex.: abolir, banir, carpir, demolir, explodir, florir, adequar, colorir, falir,
precaver, reaver, computar.
Os fenômenos da natureza, por exemplo, chover, ventar e as vozes dos animais, miar,
latir, também são verbos defectivos.
VERBO FALIR – Modo Indicativo
Presente
Eu ----------
Tu ----------
Ele ---------
Nós falimos
Vós falis
Eles -------
Pretérito perfeito
Eu fali
Tu faliste
Ele faliu
Nós falimos
Vós falistes
Eles faliram
DICAS
Crê, dê, lê, vê
Pela ortografia vigente, apenas quatro verbos dobram a vogal “e” na terceira pessoa do
plural: crer, dar, ler, ver.
Singular Plural
Crê creem
Dê + EM deem
Lê leem
Vê veem
Obs.:
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Ele tem – Eles têm Ele mantém – Eles mantêm
Ele vem – Eles vêm Ele obtém – Eles obtêm
Verbos abundantes
São aqueles que apresentam mais de uma forma em uma mesma flexão. Isso ocorre
geralmente no particípio, que tem uma forma regular e uma forma irregular (ou curta).
Regular Curta
acender
entregar
expressar
ganhar
gastar
morrer
pagar
suspender
acendido
entregado
expressado
ganhado
gastado
morrido
pagado
suspendido
aceso
entregue
expresso
ganho
gasto
morto
pago
suspenso
Concordância
Existe sempre concordância entre as palavras.
A concordância é a combinação, ou coincidência, em gênero, número ou pessoa que se
faz entre as palavras de uma mesma frase.
Se a concordância não acontece, a frase fica incorreta.
A língua portuguesa estabelece dois tipos de concordância e seus princípios básicos:
- Nominal – adjetivos, artigos, pronomes e numerais concordam em gênero e número
com os substantivos a que se referem.
As nossas primeiras metas foram alcançadas.
- Verbal – o verbo concorda com o seu sujeito em número e pessoa.
Os colaboradores comemoram o sucesso do projeto.
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CONCORDÂNCIA NOMINAL
Regras específicas:
• quando o adjetivo qualifica mais de um substantivo e é posposto aos
substantivos...
• o adjetivo vai para o plural e a concordância em gênero prioriza o substantivo
masculino.
A empresa oferece localização e atendimento perfeitos.
• ou concorda com o substantivo mais próximo
A empresa oferece atendimento e localização perfeita.
• quando o adjetivo qualifica mais de um substantivo e é anteposto aos
substantivos...
• o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
Você fez ótimas provas e trabalhos.
• quando o substantivo é qualificado por mais de um adjetivo.
• a concordância, geralmente, segue a regra geral (concordam em gênero e
número)
Conheço histórias lindas e inteligentes.
• tratando-se de coisas distintas, o substantivo fica no plural
Admiro as culturas italiana e francesa.
• ou fica no singular e se repete o artigo
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Admiro a cultura italiana e a francesa.
• quando numerais ordinais estiverem antepostos a um único substantivo podem
ser usadas as construções
Subiram até o nono e décimo andar.
Subiram até o nono e décimo andares.
Nota: Se o substantivo vier antes dos numerais, ficará sempre no plural.
Subiram até os andares nono e décimo.
CONCORDÂNCIA VERBAL
Regras específicas:
• sujeito composto e anteposto ao verbo, o verbo vai para o plural
O advogado e o réu retiraram-se da sala.
• se os núcleos dos sujeitos são resumidos pelas expressões tudo, nada,
ninguém, o verbo fica no singular.
O advogado, o réu, o juiz, ninguém ficou na sala.
• sujeito composto e posposto ao verbo, o verbo vai para o plural
Retiraram-se da sala o advogado e o réu.
• ou o verbo concorda com o núcleo mais próximo
Retirou-se da sala o advogado e o réu.
• pessoas gramaticais diferentes, o verbo se flexiona no plural, na pessoa que
prevalece (a primeira prevalece sobre a segunda e esta sobre a terceira).
Tu e eu tomaremos a decisão. (nós)
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(1ª pessoa do plural)
Tu e teus irmãos tomareis a decisão. (vós)
(2ª pessoa do plural)
Pais e filhos precisam-se respeitar-se. (eles)
(3ª pessoa do plural)
• expressões com o verbo ser.
• substantivo não precedido por determinantes (artigos, pronomes e numerais),
não variam: é proibido, é bom, é necessário, é preciso, é permitido.
É necessário paciência.
• substantivo precedido de artigo ou qualquer modificador, essas expressões
variam concordando com o substantivo.
A paciência é necessária.
Casos que merecem atenção
• sujeitos formados pelas expressões um dos que, um e outro, nem um nem outro,
a maioria de, grande parte de, o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural.
A maioria dos condôminos preferiu / preferiram dividir as despesas.
• sujeitos formados por expressões que indicam quantidade aproximada – mais de
um, cerca de, o verbo concorda com o substantivo.
Mais de uma pessoa foi escolhida.
Cerca de trinta pessoas foram escolhidas.
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• sujeito indica porcentagem, o verbo concorda com o numeral ou com o
substantivo.
1% da classe aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova.
• quando o sujeito é formado pelo pronome que, a concordância em número e
pessoa é feita com o antecedente desse pronome
Fui eu que fiz.
Fomos nós que fizemos.
• quando o sujeito é o pronome relativo quem, o verbo fica na 3ª pessoa do
singular ou concorda com o antecedente do pronome
Fui eu quem pagou a conta.
Fui eu quem paguei a conta.
Verbos impessoais
• São verbos que não admitem sujeito.
• Permanecem sempre na 3ª pessoa do singular.
Havia muitos estrangeiros na universidade.
Na Amazônia faz invernos chuvosos.
Regência
Quando se fala em regência, fala-se basicamente da relação que há entre as palavras
de uma oração ou entre as orações de um período.
REGÊNCIA VERBAL
• verbos com ideia de “movimento para”, empregar preposição “a” e “para”
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Quando cheguei a Espanha.
Ele foi ao cinema.
Ela foi para a Grécia.
• o pronome “lhe” só deve ser usado para substituir termos introduzidos por
preposição
Perguntei a você / Perguntei-lhe.
• cada verbo exige uma preposição para o estabelecimento da relação de
regência.
antipatizar / simpatizar – com
consistir – em
obedecer / desobedecer – a
dignar-se – de
responder – a
preferir – a
REGÊNCIA NOMINAL
Aqui estão vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que regem.
Observe-os atentamente e compare o uso indicado com o uso que você tem feito. Além
disso, procure associar esses nomes entre si ou aos verbos cognatos.
Substantivos
admiração a, por devoção a, para com, por medo a, de
aversão a, para, por doutor em obediência a
atentado a, contra dúvida a cerca de, em, sobre ojeriza a, por
bacharel em horror a proeminência sobre
capacidade de, para impaciência com respeito a, com, para com, por
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Adjetivos
acessível a contíguo a generoso com
acostumado a, com contrário a grato a, por
afável com, para com curioso de, por hábil em
agradável a descontente com habituado a
alheio a, de desejoso de idêntico a
análogo a diferente de impróprio para
ansioso de, para, por entendido em indeciso em
apto a, para equivalente a insensível a
ávido de escasso de liberal com
benéfico a essencial a, para natural de
capaz de, para fácil de necessário a
compatível com fanático por nocivo a
contemporâneo a, de favorável a paralelo a
parco em, de propício a semelhante a
passível de próximo a, de sensível a
preferível a relacionado com sito em
prejudicial a relativo a suspeito de
prestes a satisfeito com, de, em, por vazio de
Advérbios
longe de
perto de
Os advérbios terminados em –mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de
que são formados: paralela a, paralelamente a, relativa a, relativamente a
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1L
AULA 5
Pontuação
Por que usamos os sinais de pontuação?
Os sinais de pontuação são usados para estruturar as frases escritas de forma lógica a
fim de que elas tenham significado. São eles:
- ponto;
- vírgula;
- ponto-e-vírgula;
- dois pontos;
- ponto de interrogação;
- ponto de exclamação;
- reticências;
- aspas
- parênteses;
- travessão;
PONTO
O ponto, ou ponto final, é utilizado basicamente no final de uma frase declarativa.
O garoto ganhou uma bicicleta.
Além de finalizar um período, o ponto é usado em abreviaturas.
etc., S. Paulo
VÍRGULA
A vírgula, em seus vários usos, é fundamental para a correta entoação e interpretação
da frase escrita. Como simples sinal de pausa, ela indica um tempo, geralmente menor
que o do ponto. Compare o ponto e a vírgula como sinal de pausa.
Era de noite, as janelas se fechavam.
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Era de noite. As janelas se fechavam.
O uso da vírgula é basicamente regulado pela sintaxe.
“Só, ela resolve tudo.” e “Só ela resolve tudo.”
Nas frases acima, vimos que uma é bem diferente da outra. A vírgula muda tudo. Na
primeira frase, “só” significa “sozinha”; na segunda, “apenas, somente” .
Ainda há professores de português que ensinam a seus alunos que “vírgula é para
respirar”. Dizem que “toda vez que se respira, coloca-se vírgula”. É óbvio que não é
correto. Se assim fosse, imagine como seria o texto de um asmático. Uma vírgula atrás
da outra.
USO ADEQUADO DA VÍRGULA
• em enumerações: para separar elementos
Machado de Assis foi contista, romancista, poeta, dramaturgo e crítico
literário.(geralmente o último termo da enumeração vem separado pela conjunção e).
• em intercalações: para isolar as palavras ou expressões
Os funcionários, a pedido do diretor, alteraram o horário.
• para isolar aposto e vocativo
A minha avó, Maria, era suíça.
(aposto)
Estamos de férias, pessoal!
(vocativo)
• para marcar elipse do verbo
Sua palavra é a verdade; a minha, a lei.
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• para separar orações coordenadas, exceto as iniciadas pela conjunção e
O rapaz estudou muito, mas não conseguiu resultados satisfatórios.
Atenção: a vírgula e o “e” não são inimigos. Muitas vezes se usa a vírgula antes do e,
principalmente:
• quando liga orações com sujeitos distintos.
Pedro convida Maria, e Joana se irrita.
• para dar ênfase
“Disse, e fitou Don’Ana e sorriu para ela” (Jorge Amado)
Casos proibidos:
- separar sujeito do predicado
- separar o verbo do complemento
- depois da conjunção mas
PONTO-E-VÍRGULA
É usado:
• para dar ênfase à frase,
• para a pausa de um ponto na frase, sem encerrar um período
“Uns se esforçam, lutam, criam; outros vegetam, dormem desistem.”
para separar itens de uma enumeração
O plano prevê:
a) internações;
b) exames médicos;
c) consultas.
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DOIS PONTOS
Usa-se:
• para introduzir uma explicação, um esclarecimento.
“Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma olha de dentro para fora, outra
que olha de fora para dentro”. (Machado de Assis)
• para introduzir uma citação ou a fala de um personagem
Depois de um longo silêncio, ele disse: é melhor esquecer tudo.
INTERROGAÇÃO E EXCLAMAÇÃO
• ponto de interrogação usa-se no fim de uma frase interrogativa direta
Quem te deu licença?
• ponto de exclamação marca o fim de frases exclamativas, optativas (que
expressam desejo) e frases imperativas
Como é lindo o meu país!
Que Deus te acompanhe!
Vá-se embora!
RETICÊNCIAS
• Interrompem a frase, marcando uma pausa longa. São usadas para indicar uma
hesitação, incerteza ou um prolongamento de ideia.
Bem, eu queria...Você sabe muito bem o que eu quero...
ASPAS
São usadas:
• para assinalar citações textuais
O presidente afirmou, em seu discurso:
“Toda corrupção será combatida”.
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• para indicar que um termo é gíria, estrangeirismo ou que está sendo usado em
sentido figurado
Minha turma é “fissurada” nessa música.
TRAVESSÃO E PARÊNTESES
• São usados para esclarecer o significado de um termo e intercalar reflexões,
comentários.
Granada (último refúgio dos árabes) foi conquistada em 1492.
Mas agora – pela centésima vez o pensava – não podia admitir aquelas mesquinharias.
• O travessão também é usado em diálogos
- Com quem você esteve?
- Com a Maria e o Edu.
Problemas gerais da língua culta
Há conhecimento de que nossa língua está sendo mal escrita e pior ainda falada.
Sabemos que se trata de uma das línguas mais difíceis do planeta, mas nada justifica
que se despreze o seu ensino e o seu aprendizado.
A língua portuguesa tem sofrido muitas agressões. E não é o povo, que fala do seu jeito
peculiar, mas profissionais liberais, formados em nível superior, que não sabem se
expressar, escrevem mal e são pouco afeiçoados à leitura. Quem não lê, dispõe de um
vocabulário extremamente limitado.
Portanto, caro estudante, muita leitura!
Eis alguns deslizes para nunca cometer...
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“Menas”
Erro grosseiro. Menos não tem feminino. Por isso: menos gente (e nunca “menas”
gente).
“Chego”, “trago”
Nenhuma dessas formas existe. Assim: Tinha chegado (e nunca “tinha chego”). / Tinha
trazido (e nunca “tinha trago”).
“Seje”, “esteje”
As flexões do verbo são seja e esteja.
Não erre mais...
Colocação
O termo colocação deve ser usado apenas para designar o ato de colocar, arrumação,
disposição. E não como equivalente à observação, sugestão, ressalva ou ideia. Veja,
pois, como dizer: A ideia (e não “a colocação”) apresentada pelo deputado era original./
Trata-se de uma observação (e não “colocação”) equivocada./ Ele fez uma sugestão (e
não “colocação”) a respeito. Igualmente ninguém deve usar frases como: Eu gostaria de
“colocar que” é hora de fazer as reformas (mas eu gostaria de observar que é hora de
fazer as reformas)./ Ele “colocou que” todos deviam retirar-se (mas ele sugeriu que
todos deviam retirar-se).
Não vá “estar anunciando”
Esse uso inadequado do gerúndio para exprimir o futuro se tornou um modismo
incontrolável, presente principalmente na fala das pessoas, em frases como: Vou estar
passando o fax para o senhor amanhã./ Vamos estar enviando os convites na próxima
semana./ O senhor pode estar chegando para a consulta às 16 horas.
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Redundâncias ou Pleonasmos
“Elo de ligação”: Elo significa cadeia, ligação. Portanto, elo de ligação nada mais é
que “ligação da ligação”.
“Manter o mesmo”: A pessoa pode manter outro?
“Pequenos detalhes”: Não existem detalhes grandes.
“Planos para o futuro”: Use plano apenas. Ninguém faz planos (ou projetos) para o
passado.
“Surpresa inesperada”: Ainda não nasceu a “surpresa esperada”.
“Todos foram unânimes”: Se são todos, têm de ser unânimes. Use por exemplo, “eles
foram unânimes”.
“Criar novos empregos”: Use criar, somente. Não se cria nada velho.
Dicas para o processo seletivo
Como se comunicar:
• procure enriquecer o seu vocabulário (leia!) e evite utilizar gírias.
• fale com educação: agradeça, peça licença, não interrompa os outros.
• fale corretamente, utilizando inflexões de voz adequadas ao contexto. Erros
básicos, como eliminar o plural, são imperdoáveis.
• procure elaborar mentalmente a sua mensagem antes de falar.
• atente-se aos vícios de linguagem, expressões que se repetem inúmeras vezes
em sua fala, como o uso de tipo, né, ta ligado...
• não fale demais e nem de menos – saiba fazer as intervenções na hora certa.
• fale com calma de forma que o receptor compreenda a mensagem que você
quer passar.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Editora
Nacional, 1993
HELP! Sistema de Consulta Interativa – Língua Portuguesa. São Paulo: Klick
Editora, 1996
MARTINS, E. Manual de redação e estilo. São Paulo: Jornal O Estado de São Paulo,
1990
NETO, P. C. Ao pé da letra. Rio de Janeiro: CP&A, 2001
NETO, P. C. Nossa língua em letra e música. São Paulo: EP&A, 2002
NISKIER, A. Na ponta da língua. 3ª edição. São Paulo: CIEE, 2005
OLIVEIRA, Édison de. Todo o mundo tem dúvida, inclusive você; Português. 2ª
edição, Porto Alegre: Sagra, 1989
PASQUALE & ULISSES. Gramática da Língua Portuguesa, São Paulo: Scipione,
1998
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